November 14, 2016

Gael – Primeiro aninho

Aprumo a máquina,

dou linha à pipa

e ela sobe alto

pela força do vento.

 

O vento é feliz

porque leva a pipa,

a pipa é feliz

porque tem o vento.

 

Se tudo correr bem,

pipa e vento,

num lindo momento,

vão chegar ao céu.

[A pipa e o vento – Cleonice Rainho]

November 8, 2016

Partir, andar.

 

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Hoje fizemos nossa rotina normal da manhã: correria, lanches, mochila, mamadeira, responde agenda, troca criança, criança faz xixi na roupa, troca criança de novo. Vixe! Trocamos tanto uma criança que a outra vai sem trocar mesmo, dá-lhe tia Leni, que fará isso rapidinho (“Esses pais de hoje,” ela deve pensar…). Soca vitamina goela abaixo, tira ranho, lava rostos, pega conta pra pagar, tira carro da garagem, ainda tô de toalha!! O filho não quer o tênis do dinossauro, quer o da aranha, justo esse que ainda está cheio de areia do parquinho… Preciso de alguma roupa e foi-se o tempo que eu pensava em look do dia, agora é vestir a que serve e bora lá. Tchau filho um, tchau marido!! Putz, não beijei nenhum dos dois! Deus, não permita que eu morra hoje assim, desta forma triste, sem selinho algum… Chaves, c-a-d-ê a-s c-h-a-v-e-s?? Ufa, estavam lá na sacola do mercado de ontem… Pego o filho dois e vou, partir andar, trocando uma ideia com Deus durante o caminho.

Zélia Duncan começa a cantar no rádio e me deixo levar por essa letra e melodia tão bonitas.

“Partir Andar, Eis que chega

Não há como deter a alvorada…”

É neste lapso de tempo que algo ocorre… Momentos que os segundos parecem passar em slow motion e, apesar dos sons da rua, das buzinas e pássaros, que você ouve ao fundo e sabe que estão lá, tudo que você escuta são as batidas do próprio coração, pulsando ritmadas, bombeando sangue pelas veias em uma continuidade coreografada.

Não há como deter a alvorada, não importa o quão escura ou longa foi a noite, a cada novo dia lá está ela, com suas luzes, cores e raiares de esperança. O que é divinamente orquestrado para acontecer, acontece.

“Partir andar, eis que chega

Essa velha hora tão sonhada…”

Olho para trás e lá estava meu pequeno, quietinho no bebê conforto. Verbalmente não diz quase nada, mas esses olhos de amêndoas falam muito! Dividi com ele essa fração especial de tempo e tirei uma foto pra me lembrar sempre o quanto podemos ser plenos em uma terça-feira qualquer. “Felicidade se acha é em horinhas de descuido,” disse Guimarães.

Meu peito explode de gratidão pelas notícias boas. Andamos e andamos. Haverá outras caminhadas, mas, por enquanto, nos permitiremos sentar e desfrutar de onde chegamos. E não chegamos sozinhos, chegamos pela graça, e é apenas mergulhados nela que podemos agradecer: pelo sim, pela porta que abriu, por uma boa espera, pela dádiva enviada à nossa família:

“Essa velha hora tão sonhada

Faltava quase sempre um sim

Agora já não falta nada.”

May 9, 2016

No hospital. Again.

Bebê com menos de um ano. Duas internações.
A frase que informa e inicia este post é bem curta, diferente do sentimento de imprudência de quem vivência essa realidade. “O que estou fazendo de errado?” “Como evitar surpresas assim?” Estes são exemplos de questões que nos vem à mente mas a verdade é que, por mais que nos esforcemos pra que tudo ande nos eixos, não temos total controle sobre nada nesta vida.
Na segunda feira, o Gael estava bem cansado, febril e com chiadinho no peito. O Douglas o trouxe para o hospital (digo trouxe porque estou aqui agora) e só faltou sair com uma receita de bolo, de tão reconfortante que foi o diagnóstico: “o Gael está bem, peito limpo. Faça inalação com soro e volte se a febre persistir.” A febre persistiu! Na quinta-feira ele ficou bem mal e voltamos, eu e minha mãe, pois o DougLas estava na facul. Foram coletados alguns exames, momento que foi possível “dar nome aos bois”. O Gael estava com o vírus sincicial (VSR) que causa a bronquiolite, o mesmo que quase nos fez passar seu primeiro natal aqui. Por causa da necessidade de oxigênio, dentre outros cuidados, saberia que a internação seria pedida. E me preparei psicologicamente para todos os efeitos desta decisão. Me ausentar do Bernardo foi o pior deles… Que difícil quando temos dois pequenos dependentes de nós! E por algum motivo temos de nos doar menos para um a fim de suprir o outro.
Passamos duas noites e um dia no PS, pois não tinha vaga nos quartos. Tentamos transferência para outro hospital mas todos estavam lotados. O tempo frio judia das crianças e enche as enfermarias. Cada história que conhecemos aqui! De autores pequenos em tamanho e gigantes em superação.
Eu e o Douglas estamos nos revezando nos turnos. Minha mãe passou uma noite e a tia Ana e Bruno também vieram dar uma força. A Bia lavou e passou toda roupinha deles, a Guid ficou com o Be, e as duas vovós também. Colegas me ajudaram no trabalho pra que eu pudesse estar aqui e meus chefes foram mega compreensivos. Uma coisa que a maternidade me ensinou é que geramos e parimos sozinhas, mas é impossível criarmos nossos rebentos em carreira solo. E é à esse time de revezamento, digno de competir numa Rio 2016, que agradeço de coração! Minha gratidão também transborda para Deus, que nos fortalece em meio às lutas, traz paz aos nossos corações e frequentemente age a fim de provar a nossa fé e nos lembrar o que importa nesta vida.
Por enquanto é isso! Pequeno comigo se recuperando bem, irmão mais velho curtindo o papai e a certeza de que cada “leve e momentânea tribulação produz para nós um peso de glória mui excelente.”

Deixo um texto lindo de Khalil Gibran que li nesta semana.
Beijos e obrigada pelas orações de todos!
Os filhos
(Do Livro “O Profeta”)

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: “Fala-nos dos filhos.”
E ele falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

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March 8, 2016

Chapeuzinho vermelho e pepinos verdes

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Quando estava prestes a começar a árdua tarefa de cortar as unhas dos pés do Bernardo, resolvi dar este livrinho para que se distraísse.

– Filho, conta essa história pra mamãe, por favor?

– Tá bom!

E assim consegui tirar o foco do cortador de metal que deve ser uma serra elétrica na imaginação dele, tamanho o escândalo…

Ele começou:

– A chapeuzinho foi na casa da vovó. Na casa da vovó tinha lobo, pepinos..

Como não lembrava desses pepinos no conto, fui observar a ilustração para ver que licença poética era aquela… E me deparo com essas árvores, rsrs:

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Coisas de Be! 2 anos e 5 meses

March 1, 2016

Irmigos…s2

“…Se a fase é ruim
E são tantos problemas que não tem fim
Não se esqueça que ouviu de mim
Amigo estou aqui

…Os seus problemas são meus também
E isso eu faço por você e mais ninguém
O que eu quero é ver o seu bem
Amigo estou aqui

Os outros podem ser até bem melhores do que eu
Bons brinquedos são
Porém, amigo seu é coisa séria
Pois é opção do coração (viu?)

O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui”

[Toy Story theme]

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February 29, 2016

Pé de acerola

 

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“Ser assim é uma delícia
Desse jeito como eu sou
De outro jeito dá preguiça
Sou assim pronto e acabou

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A comida de costume
Como bem e não regulo
Mas tem sempre alguns legumes
Que eu não sei como eu engulo

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Brincadeira, choradeira,
Pra quem vive uma vida inteira
Mentirinha, falsidade,
Pra quem vive só pela metade

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Quando alguém me desaponta
Paro tudo e dou um tempo
Dali a pouco eu me dou conta
Que ninguém é cem por cento

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Seja um príncipe ou um sapo
Seja um bicho ou uma pessoa
Até mesmo um pé-de-nabo
Tem alguma coisa boa”

Obs.: A música chama “Pé de nabo” do Palavra Cantada. Amo essa letra, mesmo que o pé (das imagens), seja de acerola, rs.

Menino e árvore dividem o quintal, ambos crescem juntos e a tempo darão seus frutos.

February 25, 2016

Gael – 7 meses

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– Rola muito (Caiu da cama por isso);

– Consegue segurar a mamadeira (mas prefere que o façamos);

– Senta sem apoio por um tempinho;

– Está com a gengiva  inchada, indícios de dentinhos em breve;

– Amou os alimentos novos, principalmente mandioquinha (igual ao Be na mesma época);

– Solta o pum mais fedido do universo (Piorou com a introdução alimentar);

– É o bebê que toda mãe pediu a Deus (dorme muito);

– Não estranha ninguém;

– Sorri para metade do Brasil;

– Chupa o dedinho e não o larga por nada;

– Demonstra fascínio pelo irmão;

– Tem um olhar doce e se expressa muito através deles;

– Fica em pé com apoio e arrisca uns passinhos bêbados;

– Continua calmo e bonzinho;

– É o nosso caçula amado!

 

“Viva cada instante, viva cada momento,

Proteja da razão teu sentimento.

Tente ser feliz enquanto

A tristeza estiver distraída.

Conte comigo

A cada segundo dessa vida.”

[Toquinho – Canção pra Jade]

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Essa linguinha…

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Eu sou muito feliz, gente!

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Denguinho…

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Irmãos, lindos, amores!

July 20, 2015

Dia do Amigo

Eu cresci ouvindo falar sobre ele. Era o personagem central das histórias contadas e das músicas cantadas. A teoria e propósito de sua existência me foram explicadas e ficaram guardadas no meu coração. Não sei dizer em que momento eu lhe pedira para entrar, mas há tempos sei que sou sua morada.

Cresci e quis experimentar meus próprios caminhos. Ele respeitou minhas escolhas mesmo que não tenham sido as melhores. E, de tempos em tempos, insistia em me lembrar de que possuía uma estrada melhor e que eu não a trilharia sozinha. Como um GPS eficiente, reprogramava a rota e me direcionava ao destino certo.

Inúmeras vezes ele me encontrou suja, machucada e perdida. Minhas vestes mal cheirosas nunca foram empecilho para um abraço reconfortador. Ele pacientemente me limpou, curou e guardou. Abraçar, limpar e curar são verbos, como aprendi por volta da quarta série: a classe de palavras que se flexiona em pessoa, número, tempo, modo e voz. Em algum momento de minha existência, aquela teoria aprendida se transformara em experiência vivida. O personagem virara pessoa.

Eu o conheci pessoalmente e, mais do que isso, o reconheci muitas vezes.  Era ele que estava comigo, em uma de suas três formas, em todos os momentos difíceis e também felizes… Se compadecendo das minhas fraquezas, se alegrando com minhas vitórias. Ele tem sentimentos tão seguros e estruturados, mas também ri e chora. Essa semelhança nos aproxima.

Relacionamentos precisam ser sustentados por atitudes. E a que ele tomou, dividiu a história da humanidade e, o que eu direi depois disso não tem uma proporção tão grande, mas é importante registrar: mudou a minha história. Alguém precisava me redimir e ele voluntariamente se ofereceu. Eu nem sou tão gentil, não sou tão educada e nem legal todo dia… Mas ele não olhou minhas inconstâncias, pois seus olhos de amor enxergam além. Estes olhos viram valor em mim e, em algum momento de um jardim escuro, ele não desistiu de pagar pelo preço. Não sei quanto custou essa decisão, pois, da mesma forma que tiramos o preço dos presentes ao oferecê-los para alguém, ele nunca jogou a conta na minha cara… Ele é de uma educação e gentileza sem igual. Sabia que eu não seria capaz de dividir este valor, então ele o pagou sozinho. E como custou! Suas lágrimas transformadas em sangue, um fenômeno raro gerado pelo sistema nervoso, me dão uma noção de como ele estava se sentindo. Suportou horas de dor extrema, de humilhações e desamparo. Ele teria todo poder para parar aquela cerimônia no momento que desejasse, mas algo o fez continuar: Ele olhou para o futuro e me viu. Viu a você também… E preferiu morrer a viver eternamente sem nós.

Eu tenho algumas pessoas a homenagear nesta data inventada e elas sabem quem são… Mas não há ninguém como ele! Por isso, aqui fica um pequeno registro de gratidão para o melhor amigo que se pode ter: Jesus Cristo, mais que um amigo tú és!

” Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos…”

João 15.15

July 1, 2015

Primeiro de Julho

Primeiro de julho

Como não ouvir esta música da Cássia, bem propícia para o dia de hoje, e não lembrar dos meus meninos?

June 16, 2015

Gael – A escolha do nome

Gael - significado

Não sei ao certo quando o nome chamou minha atenção. Provavelmente, foi depois do filme “Diários de Motocicleta” interpretado pelo ator mexicano Gael García Bernal. Desde que ouvi este nome, me apaixonei por ser de fácil pronúncia e incomum. Forte e doce ao mesmo tempo, pois a terminação “el” dá todo um tom angelical à composição. Antes de imaginar namorar e casar com o Douglas, eu dizia (e a Gabi e Dani são prova disso) que teria um filho chamado Gael. E cá está ele!

Confesso que sofri para o Douglas aceitar o nome. Ele tinha muita insegurança devido ao fato de não conhecermos nenhum homônimo de nosso filho. Bateu o pé e me fez buscar outras opções e quando eu escolhi um da linha “básico, comum e anti-bulling” ele disse que preferia Gael. Homens…

Quem mais tem um Gael?

O ator Thiago Lacerda, a modelo Jaque Khury, o escritor de Diário de um Grávido, Renato Kaufmann, o ator sumidinho das pistas: Rodrigo Veronese e o Lucas, colega aqui da Pós-Graduação. Gael também é um personagem da novela eterna Malhação e, por este motivo, temo que o nome entre muito pra moda… Torcendo contra!

Só fui pesquisar significados agora que engravidei. De todas as possíveis origens, a que mais me chamou a atenção foi a associação com o verbo hebraico ga’al que quer dizer:

– remidor;

– redentor;

– vingador;

– parente mais chegado que vai remir.

Vasculhando trabalhos pela net, encontrei a seguinte definição para ga-al: “A forma participial do qual do verbo tornou-se praticamente um substantivo com todos os seus atributos, ainda que possa corretamente ser considerada apenas uma forma do verbo. O sentido original desta raiz é o de cumprir o papel de resgatador, redimindo, portanto seu parente da dificuldade do perigo.”

De todas as expectativas que eu criei para o nosso Gael, a maior delas é que saiba que o nosso Redentor vive (Jó 19.25) e que o conheça de andar junto. Que ele seja grato pela sua condição de remido, vivendo para aquele que morreu para pagar sua cota. Que, como sugere seu nome, ele reconquiste, com Deus e para Deus, tudo aquilo que fora perdido.

Quando nosso filho aprender os primeiros passos, certamente lhe direcionaremos para onde ir a fim de evitar grandes acidentes… Vamos afastar os móveis pontiagudos e colocaremos um tapete de borracha no meio da casa (que nada combina com a decoração), apenas para que seu andar seja seguro. Da mesma forma, lhe ensinaremos que há um caminho Santo por onde os remidos podem andar:

E ali haverá uma estrada, um caminho, que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para aqueles; os caminhantes, até mesmo os loucos, não errarão.

Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá a ele, nem se achará nele; porém só os remidos andarão por ele.

E os resgatados do Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

Isaías 35:8-10

Vem Gael, andar pelo caminho dos remidos e no fim, desfrutar da promessa de alegria eterna.

Gael com 30 semanas

Apenas te sinto e já te amo.

Mamãe.