Dia do Amigo

Eu cresci ouvindo falar sobre ele. Era o personagem central das histórias contadas e das músicas cantadas. A teoria e propósito de sua existência me foram explicadas e ficaram guardadas no meu coração. Não sei dizer em que momento eu lhe pedira para entrar, mas há tempos sei que sou sua morada.

Cresci e quis experimentar meus próprios caminhos. Ele respeitou minhas escolhas mesmo que não tenham sido as melhores. E, de tempos em tempos, insistia em me lembrar de que possuía uma estrada melhor e que eu não a trilharia sozinha. Como um GPS eficiente, reprogramava a rota e me direcionava ao destino certo.

Inúmeras vezes ele me encontrou suja, machucada e perdida. Minhas vestes mal cheirosas nunca foram empecilho para um abraço reconfortador. Ele pacientemente me limpou, curou e guardou. Abraçar, limpar e curar são verbos, como aprendi por volta da quarta série: a classe de palavras que se flexiona em pessoa, número, tempo, modo e voz. Em algum momento de minha existência, aquela teoria aprendida se transformara em experiência vivida. O personagem virara pessoa.

Eu o conheci pessoalmente e, mais do que isso, o reconheci muitas vezes.  Era ele que estava comigo, em uma de suas três formas, em todos os momentos difíceis e também felizes… Se compadecendo das minhas fraquezas, se alegrando com minhas vitórias. Ele tem sentimentos tão seguros e estruturados, mas também ri e chora. Essa semelhança nos aproxima.

Relacionamentos precisam ser sustentados por atitudes. E a que ele tomou, dividiu a história da humanidade e, o que eu direi depois disso não tem uma proporção tão grande, mas é importante registrar: mudou a minha história. Alguém precisava me redimir e ele voluntariamente se ofereceu. Eu nem sou tão gentil, não sou tão educada e nem legal todo dia… Mas ele não olhou minhas inconstâncias, pois seus olhos de amor enxergam além. Estes olhos viram valor em mim e, em algum momento de um jardim escuro, ele não desistiu de pagar pelo preço. Não sei quanto custou essa decisão, pois, da mesma forma que tiramos o preço dos presentes ao oferecê-los para alguém, ele nunca jogou a conta na minha cara… Ele é de uma educação e gentileza sem igual. Sabia que eu não seria capaz de dividir este valor, então ele o pagou sozinho. E como custou! Suas lágrimas transformadas em sangue, um fenômeno raro gerado pelo sistema nervoso, me dão uma noção de como ele estava se sentindo. Suportou horas de dor extrema, de humilhações e desamparo. Ele teria todo poder para parar aquela cerimônia no momento que desejasse, mas algo o fez continuar: Ele olhou para o futuro e me viu. Viu a você também… E preferiu morrer a viver eternamente sem nós.

Eu tenho algumas pessoas a homenagear nesta data inventada e elas sabem quem são… Mas não há ninguém como ele! Por isso, aqui fica um pequeno registro de gratidão para o melhor amigo que se pode ter: Jesus Cristo, mais que um amigo tú és!

” Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos…”

João 15.15

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