Partir, andar.

 

gaelzinho

Hoje fizemos nossa rotina normal da manhã: correria, lanches, mochila, mamadeira, responde agenda, troca criança, criança faz xixi na roupa, troca criança de novo. Vixe! Trocamos tanto uma criança que a outra vai sem trocar mesmo, dá-lhe tia Leni, que fará isso rapidinho (“Esses pais de hoje,” ela deve pensar…). Soca vitamina goela abaixo, tira ranho, lava rostos, pega conta pra pagar, tira carro da garagem, ainda tô de toalha!! O filho não quer o tênis do dinossauro, quer o da aranha, justo esse que ainda está cheio de areia do parquinho… Preciso de alguma roupa e foi-se o tempo que eu pensava em look do dia, agora é vestir a que serve e bora lá. Tchau filho um, tchau marido!! Putz, não beijei nenhum dos dois! Deus, não permita que eu morra hoje assim, desta forma triste, sem selinho algum… Chaves, c-a-d-ê a-s c-h-a-v-e-s?? Ufa, estavam lá na sacola do mercado de ontem… Pego o filho dois e vou, partir andar, trocando uma ideia com Deus durante o caminho.

Zélia Duncan começa a cantar no rádio e me deixo levar por essa letra e melodia tão bonitas.

“Partir Andar, Eis que chega

Não há como deter a alvorada…”

É neste lapso de tempo que algo ocorre… Momentos que os segundos parecem passar em slow motion e, apesar dos sons da rua, das buzinas e pássaros, que você ouve ao fundo e sabe que estão lá, tudo que você escuta são as batidas do próprio coração, pulsando ritmadas, bombeando sangue pelas veias em uma continuidade coreografada.

Não há como deter a alvorada, não importa o quão escura ou longa foi a noite, a cada novo dia lá está ela, com suas luzes, cores e raiares de esperança. O que é divinamente orquestrado para acontecer, acontece.

“Partir andar, eis que chega

Essa velha hora tão sonhada…”

Olho para trás e lá estava meu pequeno, quietinho no bebê conforto. Verbalmente não diz quase nada, mas esses olhos de amêndoas falam muito! Dividi com ele essa fração especial de tempo e tirei uma foto pra me lembrar sempre o quanto podemos ser plenos em uma terça-feira qualquer. “Felicidade se acha é em horinhas de descuido,” disse Guimarães.

Meu peito explode de gratidão pelas notícias boas. Andamos e andamos. Haverá outras caminhadas, mas, por enquanto, nos permitiremos sentar e desfrutar de onde chegamos. E não chegamos sozinhos, chegamos pela graça, e é apenas mergulhados nela que podemos agradecer: pelo sim, pela porta que abriu, por uma boa espera, pela dádiva enviada à nossa família:

“Essa velha hora tão sonhada

Faltava quase sempre um sim

Agora já não falta nada.”

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